Semana passada o único assunto em casa foi sobre nosso gato Max. Ele apareceu por aqui em meados de Janeiro deste ano, era um gatinho de um mês e bem remelento. Logo ganhou a simpatia da casa. Tomou vacinas, ração de primeira, leitinho, identidade e tudo mais. Sete meses bem vividos, 2 quilos e meio, tava lindão.
Há umas duas semanas nosso gatinho sumiu. Procuramos nas ruas próximas, perguntamos a alguns vizinhos e nada; compreendemos que o Max era um gato e gatos gostam de liberdade, logo ele voltaria com saudade do nosso carinho, leitinho e da cama quentinha. Na pior das hipóteses alguém tinha roubado nosso gato ou pior, um carro tivesse atropelado ele.
Durante esses dias distante, as crianças lá em casa sonhavam com o gato voltando pra casa. Bem bonito.
Um dia um vizinho toca a campainha e diz que nosso gato está lá na rua. Meu sogro sai pra dar uma verificada e vê nosso querido Max escalando um muro, todo pomposo. A infelicidade é que a casa que o Max estava escalando tem dois cachorros furiosos no quintal e bom… o fim da história é fácil de imaginar. Eu consigo ver o sacana do Max querendo brincar com um dos cachorros, com aquela patinha afiada e bom, o cachorro não estava muito afim de brincadeira.
O povo de casa ainda tentou fazer alguma coisa, primeiros socorros, veterinário, mas já não havia o que fazer. Nosso gatinho morreu.
No outro dia o jovem Max teve direito a um velório, a criançada colocou o gato numa caixinha e encheu de flores. Um berreiro geral. A Kat estava inconformada e o enterro foi no quintal de uma vizinha.
Aí eu percebo o lado frágil do ser humano. As crianças de casa, apesar de não terem formação religiosa, me perguntavam se o Max tinha ido pro céu. Eu não podia dar outra resposta a não ser um “Sim… ele está no céu com nosso finado cão Rex, brincando com outros bichinhos… ele está feliz, pode crer”.
Estranho.
Eu poderia dizer a elas que não existe um céu, que o Max era simplesmente uma bolinha de carne que iria se decompor e desaparecer, mas eu não tinha esse direito. A fantasia torna a vida mais fácil e bonita. É bom pensar, mesmo sem nenhuma certeza, que depois dessa vida iremos encontrar amigos, familiares e bichos de estimação num céu. É difícil encarar a morte naturalmente, precisamos de artifícios pra encará-la e seguir em frente, sem tanta angústia e ressentimentos. Nosso gatinho deixou saudades…
Até uma próxima vida, Max