Salmos 42

Publicado em março 15, 2011

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A espiritualidade sempre esteve muito presente na minha história. Nasci num lar protestante. Desde cedo me acostumei aos encontros dos amigos protestantes em nossa casa, cantando e orando madrugada adentro. Interpretação de sonhos, visões, profecias… em meu mundo tudo isso era absolutamente normal.

Cresci e comecei a questionar o deus dos protestantes; àquela figura era um tanto antagônica para mim. O deus de amor era o mesmo deus que iria condenar seus filhos ao inferno pela eternidade. Como poderia ser assim?! Esse fato tornou-se insustentável quando compreendi que o deus dos protestantes era injusto, porque permitia que um jovem como eu tivesse comida e um bebê na África morresse de fome.

Comecei a busca por um deus justo; encontrei-o com relutância no espiritismo de Kardec. A idéia da reencarnação, da lei da ação e reação demorou para fazer sentido, mas quando percebi que essas idéias respondiam praticamente todas as minhas perguntas tive grande entusiasmo pela linha de Kardec. Ele não negava a existência de Deus; não ignorava a figura de Jesus e ainda mostrava grande respeito por outros grandes nomes como Buda, Krishna e etc. A idéia era tão linda para mim que comecei a desconfiar. Comecei a questionar. Era muito perfeito e eu não podia cair no mesmo erro novamente e então continuei minha busca.

Li diversos livros, conheci a filosofia Rosa Cruz, budismo, etc… e um certo dia me descobri girando em círculos. Tudo fazia sentido e tudo não fazia sentido. O sentido da vida era um mistério que fugia totalmente à minha razão. Fiquei “desesperado” porque enfim percebi o quão pequeno e solitário somos. Não temos resposta para nenhuma das grandes perguntas da humanidade: de onde viemos, quem somos e para onde vamos… sim, isso fez total sentido pra mim e um dia pesquisando na internet descobri que existe uma palavra que define as pessoas que reconhecem isso: agnósticos. Mas eu já não queria me inserir em nenhum grupo… agnóstico, ateu, espírita… eu queria fugir dos rótulos e esquecer as perguntas sem respostas.

Mas o mundo gira… gira… e eu percebo de forma recorrente a minha inquietação, como se a minha busca não tivesse realmente acabado e as vezes, nas coisas mais simples eu sinto a grandeza do mistério em que estamos envolvidos e sinto… sim, sinto que isso já não me incomoda como antes. A fé me impulsiona. Mas, fé em quê? Não sei exatamente.  A fé no regente por traz de cada vibração.

O deus dos protestantes não me inspira e não me amedronta mais, porque este deus é o deus concebido por um homem que teve as mesmas limitações que eu; mas como escreveu o rei Davi nos Salmos 42 eu reconheço: “a minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo”… porque é impossível para mim ignorar o Deus onipresente, o grande Regente, a força misteriosa por traz de tudo e o elo da minha alma com este grande mistério.

Publicado em: Momento Lúdico